Vida de Escritora #3 - Escolhendo a capa do livro

Uma das maiores alegrias de um autor independente é a liberdade de fazer o que bem quiser com a sua obra. Você tem o poder para escolher revisores, capas, distribuição, estratégias de marketing, mas, como já diria o poeta: Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, ou coisa assim. E o negócio pode acabar ficando bem cansativo!

Você realmente precisa pensar em tudo sozinha (ou quase sozinha) e garantir que vai ficar o melhor que poderia ficar nessas circunstâncias. Não tem uma editora por trás do que você está fazendo, então é preciso que a história se venda, que a capa se venda, que você se venda. Qualquer errinho pode ser uma porta aberta pra tragédia. Pelo menos é o que acho, mas sou daquele tipo meio dramática mesmo.

Depois que a revisão de Tudo o que ela quer ficou pronta, chegou a hora de me preocupar com a capa do livro e, digo pra vocês, não tem sido um trabalho fácil.
Eu sempre sonhei com uma capa ilustrada. Até mesmo a primeira capa da história - que eu fiz pra colocar no orkut quando ainda estava começando a me aventurar no mundo do photoshop, coitada! - a primeira coisa que veio na minha cabeça foi alguma Japa maluca desenhada na capa.

Quando a Editora pegou o livro pra publicar, eles criaram uma capa bem diferente do que eu tinha imaginado, mas acabaram captando bem a essência da história. Ficou viva, ousada e incorporou os elementos do livro de uma maneira que você sabe logo de cara do que se trata. Não sei quem foi o artista, nunca soube, só sei que não poderia usar por conta própria pela questão de direitos autorais. Então eu precisaria criar tudo do zero! Um grande EBAAA, certo?

Bom, mais ou menos. Foi um processo complicado. Eu falei com algumas pessoas, "Profissionais" (bom, pelo menos eles se julgam profissionais. Eu não sei mais se acredito tanto), capistas e ilustradores, sobre os meus planos. Eles responderam com empolgação, disseram que topavam, disseram "que legal!" E, de repente, desistiram de me responder. Nem sequer pra explicar que NÃO tinham mais interesse e NÃO iam mais fazer o que tinham combinado comigo antes.

Era bem aquela coisa: "Se iluda, faça seus planos dessa maneira, e depois se vire pra pensar em tudo de novo!" E isso me deixou bem chateada. Erika feliz andando um passo pra frente, Erika puta de raiva e desiludida com as pessoas do universo andando dois passos pra trás.

Mas enfim, é nessas horas que você precisa daquele bom e velho: "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!". Eu precisava de uma capa, não tinha pra onde fugir. Restava agora procurar outro artista e tentar descobrir o que eu queria exatamente pra dar vida à história da Sara. Ilustração, objetos, rostos, montagens. São tantas capas lindas no mundo (E tantas capas feias também!) que dá aquele medinho de ir pelo lado errado.

Tentei pensar no que definia uma capa bonita para mim, mas são tantas variáveis. Uma capa é bonita quando me agrada aos olhos. Ponto final. Seja ilustrada, tipografada, fotografada, com rostos, sem rostos, de costas, de frentes, carros, céu, paisagem, pinturas renascentistas, sei lá.  Nunca importa a técnica usada, o que importa mesmo é o resultado final.

Então, como a boa designer (e maluca exigente) que eu sou, resolvi fazer uma pesquisa com o estilo de capas que mais me atraíam nesse gênero mulherzinha/YA/chicklit... pra tentar descobrir que caminho eu poderia indicar para a nova capista, assim que eu encontrasse uma.

Como,em Tudo o que ela quer, a Sara é uma personagem bem energética, chamativa e totalmente meio maluca, eu fiz o meu melhor pra encontrar inspirações que tivessem algo a ver com o mood da história. Difícil saber pra que lado correr com tantas opções e ideias legais, isso eu falo pra você!
Mas vamos lá... minhas opções favoritas eram:

1- Rostos. Rostos inteiros, rostos cortados, olhos e cabelo, bocas, close-up... enfim, partes da anatomia humana  que começam acima do pescoço. Tipo essas:



2- Outra opção que também adoro é a ideia de adicionar algum de cenário, pra dar uma atmosfera mais realista à história! E isso sem deixar de colocar um pedacinho (ou pedação) da modelo/protagonista, como essas daqui:
  

3- Objetos. Sempre tive uma queda gigante por capas meio minimalistas. Sou apaixonada pelas dos Diários de Carrie, mesmo tendo odiado o livro. E elas ficam lindas, não ficam? Só tem um probleminha... precisam ser muuuuuito bem-elaboradas, ou você - e os leitores - vão acabar sentindo como se estivesse faltando alguma informação.

Agora, se o designer acertar na arte, é só correr pro abraço, porque pra mim é sucesso na certa!
Pelo menos eu vou comprar, tá, gente?

 

4- Ilustrações! Aaah! Ilustrações. Praticamente o must-have das capas de chick-lit! Eu adoro que é um trabalho bem mais exclusivo que a maioria das capas - que usam imagens compradas em banco de dados... e pode acabar sendo usada pra dois (ou mais) livros diferentes. Acredite, eu já vi acontecer! Muitas e muitas vezes.

Com a ilustração você tem aquele direito de ter uma capa exclusiva, mas dá um trabalho! Ah se dá! Sem falar nos custos né? Acaba custando mais que o dobro do preço de uma capa normal (de acordo com minhas pesquisas à procura de artistas era sempre assim!).

E aí, quando você acha que já tem muitas opções pra escolher, aparecem vários tipos de ilustração também!

Tem capas divertidas e super detalhadas...
Tem aquela mais minimalista e super Diva!

Tem a série 'I heart' da Lindsey Kelk, que está sendo publicada aqui no Brasil pela editora Fundamento e tem uma capa mais linda que a outra


E, claro, eu não podia esquecer dos livros da Bruna Vieira. Morro pelas capas. Morro mesmo! quero um quadro de cada uma na minha parede.

Eu realmente adoro vários estilos de capa, e mal posso esperar pra que as coisas comecem a andar e eu possa ver novos pedacinhos de Tudo o que ela quer criados por outra pessoa.

Mas, pra você escritor independente que ainda está pensando no que fazer com sua capa, tem que lembrar que muitos fatores vão influenciar no estilo de capa: o público alvo, o tipo de narrativa, as atitude da personagem, a ambientação da história. Além, claro, dos seus gostos pessoais e, principalmente, do tipo de profissional que você escolheu.

Sim, são muitas variáveis! Boa sorte enlouquecendo tanto quanto eu!
Mas me ajudem um instante... que tipo de capa vocês preferem?

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