Vida de Escritora #5 - Vida Bandida


Então me perguntaram por onde eu andei, pra onde que eu fui, por que eu parei de postar e onde é que eu estava. A resposta é sempre a mesma: Cansada! Nem importa se não tinha nada a ver com a pergunta, era só o que eu tinha pra dizer.

"Erika, você morreu?"

"Morri, se morrer for sinônimo de cansada!"

Mas vamos lá, eu explico. A história é que eu venho falando, desde que o mundo é mundo, sobre publicar meu livro. Daí veio a editora, que me enrolou durante um tempão e depois sumiu. Foi o que me fez resolver publicar por conta própria e, como eu sou uma capricorniana muito exigente e difícil de agradar, as coisas tomaram um rumo não muito feliz nos últimos dois anos.

Resumindo: cheguei na beirinha do precipício. Aquele momento em que falta pouco, muito pouco, quase nada pra desistir. Eu tentava encontrar alguém que pudesse fazer minha capa do jeito que eu queria, alguém pra revisão, diagramação e todo o resto e só levava bomba. Não sei o que acontece com as pessoas do mundo, mas eu estava odiando todas elas. Porque elas me respondiam, ficavam empolgadas, começavam o projeto e então... puff! Chá de sumiço! Quem ainda tinha a decência de responder, era quase aquela conversa de marido que bate em mulher: "Eu vou melhorar, vou mudar! Semana que vem tudo vai ser lindo, você vai ver!". Aí chegava semana que vem e o que vinha? Bomba de novo!

Então, meses depois, quando eu já estava pra lá de cansada com aquela conversa, ia atrás de outra pessoa e toda a história se repetia. E olha, não sou muito de me estressar e ficar doida, maluca, alucicrazy, mas era assim que eu estava nos últimos meses, já começando a pensar naquele bom e velho: "Talvez não é pra ser!"

Porque a gente sempre tem aquela ideia na cabeça de que, se as coisas não vão pra frente, é porque talvez não seja a hora ou porque não é o caminho certo, ou coisa assim. E a verdade é que eu até acredito que existe um cosmos, uma força superior, sei lá, que conspira para que sua vida siga um rumo que às vezes não era o rumo que você estava esperando. Mas sempre achei que essa história de "não é pra ser" não passa de uma invenção da nossa cabeça. Pra amenizar a culpa. Porque é mais fácil acreditar que não era pra ser, do que aceitar que a culpa é toda sua por desistir dos seus sonhos quando as coisas ficaram difíceis. E que atire a primeira pedra quem nunca caiu nesse buraco!

Foi por esse motivo que parei de postar, e parei de me importar com blogs e redes sociais e conhecer gente nova. Foi por isso que parei totalmente de escrever. No começo, eu passava horas com o Scrivener aberto, olhando para aquela página em branco, sem conseguir digitar uma palavra sequer. Com o tempo, parei até de tentar. Parei de ler também. Nem sei o porquê. Porque estava me corroendo de inveja de todos aqueles autores publicados que tinham livros na minha estante, porque havia uma pressão terrível na minha cabeça, pra ler isso, ler aquilo... Porque chegou um momento em que eu olhei pra tudo isso e disse: Qual o sentido?

Tinha perdido a graça. Todos os anos que passei me apaixonando por histórias, criando personagens e universos apenas porque era bom e prazeroso e me deixava feliz... tudo aquilo tinha ido embora. E aí você perde o chão, né? Porque você nunca tinha pensando que ia virar aquela pessoa. Você sempre olhava torto para aquela pessoa, se perguntando se ela era feliz, se ela se arrependia de nunca ter feito as coisas que sempre quis em fazer.

Foi quando EU me perguntei se um dia eu seria realmente feliz se seguisse outro rumo, fosse atrás de outra coisa pra fazer na vida. A única resposta que veio na minha cabeça foi: Nunca. Então tive que me perguntar também qual era o problema. Foi quando percebi que boa parte da culpa em tudo isso era minha.

Minha porque eu estava levando tudo muito a sério. Eu queria o livro perfeito, a capa perfeita, o blog perfeito, uma vida perfeita, ser a escritora perfeita e ler 50 livros de uma vez. Eu não estava cansada e frustrada porque nada do que eu queria dava certo, eu estava frustrada com a pressão para que desse tudo certo. E foi isso que fez tudo perder a graça, foi isso que arrancou toda a diversão em criar novas histórias. Escrever se transformou tanto em uma obrigação que as coisas saíram do controle.

E como a vida é assim, a gente vive e a gente aprende, eu percebi que tudo o que eu precisava fazer era relaxar. Tomar um lexotan ou dez, tomar uma dose ou dez, e parar de me preocupar tanto. O que, conhecendo a minha personalidade, não é uma coisa fácil de fazer. Relaxar um pouco é quase equivalente a chutar o balde de vez. Mas eu, falei pra você, estava cansada. Ou eu desistia, ou relaxava, porque ficar louca não era uma alternativa. Então eu fui contra a ordem das coisas. Mandei toda aquela história de que "talvez não era pra ser" pelos ares. Se não for pra ser, só eu sei como sou teimosa! Acho que vou continuar teimando com o universo até que ele seja o primeiro a desistir, não eu.

E, porque eu percebi isso, tudo ficou diferente. O mundo ficou mais leve. Parei de pensar em livros e histórias com a cabeça e voltei lá para o começo. Quando eu pensava em histórias com o coração. Quando a coisa mais importante naquele momento era dar voz aos meus pensamentos, e não escolher a cor da fonte que vai ser usada na capa do livro e se vão gostar ou falar mal, ou se eu preciso postar isso ou aquilo no blog, ou se um dia vou conseguir revolucionar o mundo da literatura ou sei lá o quê. Não quero mais saber disso. Não vale a dor de cabeça. Não vale os efeitos colaterais.

Eu voltei a escrever, desesperadamente, compulsivamente, como sempre foi. Simplesmente porque voltei a escrever por mim. Por mim, para mim e ninguém mais.
Se vocês quiserem acompanhar, bom, sejam bem-vindos!


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